26 Julho 2019

User Experience: Porque falham os produtos digitais?

Assegurar a competitividade na era digital através da criação de produtos tecnológicos exige, por si só, uma destreza estratégica na conjuntura volátil e desafiante do mercado. Infelizmente, e apesar deste contexto, algumas empresas continuam a desenvolver produtos e serviços tecnologicamente avançados mas difíceis de utilizar e controlar pelos utilizadores.

A maioria dos produtos digitais que falham são projetados com base em convicções. Na verdade, uma grande parte das empresas continua a proceder ao levantamento de requisitos e à definição de um determinado conceito junto do adquirente do produto e não dos seus utilizadores, assumindo erradamente que as convicções do adquirente espelham necessidades e limitações reais dos utilizadores.

Por conseguinte, as equipas de desenvolvimento assumem-se também detentoras de todo o conhecimento sobre tecnologia e pessoas decorrente do seu know-how em design e programação, exigindo que os utilizadores pensem, de certa forma, como máquinas. Adicionalmente, existe uma tendência natural para um desenvolvimento task-oriented em detrimento de uma abordagem goal-directed, onde cada interveniente permanece exclusivamente alicerçado à parte do processo que lhe compete sem cultivar a visão do projeto como um todo.

Num processo complexo constituído por adquirentes, gestores de projeto, equipas de desenvolvimento e utilizadores apenas os primeiros três intervenientes estão a ser considerados na definição e criação da maioria dos produtos digitais que, na verdade, apenas virão a ser utilizados pelo quarto interveniente.

Neste contexto, a ausência de um processo de design consistente associado ao negócio e ao desenvolvimento assume-se como a principal razão para os cenários acima apresentados, comprometendo o conhecimento sobre necessidades que precisam ser identificadas, analisadas e utilizadas para direcionar a definição de um conceito.

Colmatar estas falhas não é de uma elevada complexidade mas exige o estabelecimento de um novo mindset corporativo. Na BI4ALL, esta é uma preocupação real das nossas equipas, difundida com vista ao desenvolvimento sustentado de produtos digitais human-centered, onde o utilizador orienta toda a criação dos produtos digitais.

Numa lógica de mental-models, em que experiência passada do utilizador com um determinado objeto ou dispositivo define a forma como este se comportará com um similiar em experiências futuras, definimos o nosso desenvolvimento de acordo com as capacidades e limitações do target que nos propomos a servir.

Produzir um produto digital adequado exige o conhecimento total sobre a necessidade que o originou, a percepção sobre quem são os utilizadores e o que estão eles a tentar alcançar, de que forma pensam e decidem. Efetivamente, estas são as questões que exigem imperativamente uma resposta concreta com vista à entrega das nossas soluções tecnológicas capazes de serem intuitivamente utilizadas pela sua audiência e não pela equipa que as desenvolveu. Para o efeito, é necessário entender quais são os mental-models dos nossos utilizadores, numa criação de interações goal-directed baseadas num processo de design que siga o mesmo modelo.

A difusão deste processo de design pelas equipas de gestão e desenvolvimento permitiu-nos uma abordagem sólida e estruturada ao mercado, desde o primeiro contacto entre a equipa de gestão e o prospect até ao lançamento do produto.

Mediante a consideração da importância destes conceitos no desenvolvimento de um produto digital conseguimos portanto difundir uma abordagem human-centered entre business leaders, designers, developers e adquirentes. Assim, trabalhar conjuntamente no levantamento de requisitos e na compreensão total do problema do utilizador convergirá no suporte adequado para a definição do conceito, o processo de wireframing, no desenho de diagramas de fluxo de interação e, posteriormente, na criação do layout apropriado. Durante este processo de criação da experiência de utilização é importante receber o feedback dousers, de forma a corrigir e melhorar progressivamente a experiência proposta.

 

Em linhas gerais, esta metodologia que constitui já o modus operandis no desenvolvimento dos nossos produtos digitais, permite-nos reduzir o esforço de correção ao longo do desenvolvimento, garantir uma elevada taxa de aceitação do produto por parte dos utilizadores finais sem desconsiderar o alinhamento com as expectativas do adquirente e, de certa forma, a criação de padrões de qualidade na entrega dos vários produtos digitais desenvolvidos na BI4ALL.

Em suma, as empresas precisam de garantir que as suas equipas estão capacitadas para desenvolver produtos goal-directed, servindo prontamente as necessidades de end-users cada vez mais sofisticados e exigentes, numa conjuntura em que a experiência de utilização define imperativamente a taxa de aceitação do produto e a sua posterior utilização.

    
            Sónia Silva         
     Full Stack Designer