26 Agosto 2019

Quando a disrupção na gestão é a resposta certa para o negócio

O panorama empresarial português tem sido alvo de rasgados elogios nos últimos anos pela forma como consegue ultrapassar a escassez de meios para investir em inovação. No fundo, o que está em causa é a tão afamada capacidade nacional de conseguir fazer muito com pouco e de estarmos, sem dúvida, ao nível dos melhores.

Se assumirmos como princípio a lógica de que inovação traz inovação, isto significa que, por exemplo, para alcançarmos os desejados bons resultados no desenvolvimento de novos produtos e serviços ou na melhoria dos já existentes, a aposta em soluções disruptivas deve começar na base, ou seja, na gestão. Uma das soluções que mais está a marcar a diferença nas organizações a nível mundial passa pela adoção de soluções tecnológicas de Data Analytics e Inteligência Artificial, tornando-se assim organizações data-driven, onde os dados são fundamentais para o processo de tomada de decisões da empresa, permitindo uma resposta com maior precisão e velocidade, e uma maior agilidade nos seus processos. Na prática, falamos de como uma boa capacidade de gestão, bem definida e fundamentada, serve de ponto de partida para dar resposta aos desafios de negócio. Só assim será possível reunir as condições necessárias para nos destacarmos da concorrência e alcançarmos melhores resultados.

Considerando as necessidades de negócio comuns a todas as organizações, estamos perante três vetores que todos procuram alcançar: o aumento da produtividade, a otimização dos custos e a maximização dos lucros. Na prática, isto quer dizer que não é só o que fazemos que deve estar no topo das prioridades – a forma como o fazemos também precisa de ser olhada com total atenção. Para que isso aconteça, é necessário assegurar que trabalhamos com uma completa visibilidade e controlo sobre as nossas próprias operações. Quando temos mais e melhor informação e indicadores significa melhores decisões, e temos claramente diante de nós o tal “segredo” que nos permitirá gerir com segurança e assertividade as nossas próprias operações e perceber, com antecipação, quais as mudanças que o mercado poderá estar a atravessar e medidas que temos de tomar.

E é aqui que a utilização de soluções tecnológicas disruptivas ao serviço de uma boa gestão entra em ação e assume uma capital importância, ao implicar a obtenção do máximo de informação possível. Apenas dessa forma será possível compreender o estado da organização e identificar as áreas de potencial melhoria. Áreas essas que dizem respeito, de forma transversal, a toda a organização, desde os departamentos comerciais, de marketing ou financeiro, passando pelas áreas de recursos humanos ou, claro, pelo departamento de tecnologia.

Para que se perceba concretamente quais os aspetos que podem beneficiar cada uma destas áreas, podemos dar o exemplo dos departamentos comercial e financeiro. Na área comercial, passamos a ter um acesso facilitado e imediato a análises detalhadas do desempenho da organização, a poder utilizar informações e melhorar práticas para chegar a novas oportunidades de negócio, ao olhar com maior confiança para os clientes e produtos de que dispomos, percebendo quais são os que têm um melhor desempenho ou a criar previsões de vendas precisas e fiáveis.

No caso de um departamento financeiro, temos diante dos nossos olhos uma revolução na forma como se trabalha: desde a otimização de processos, passando pela automatização de processos que evitam a necessidade de constantes atividades de reporting financeiro, um controlo prático e imediato dos indicadores financeiros da organização, análises de risco e simulações de cenários realistas e completamente adaptados à realidade da organização, ou um controlo rigoroso e pormenorizado da gestão orçamental.

Logicamente, todas as áreas de uma organização têm muito a beneficiar de uma aposta consolidada em soluções de Data Analytics & Inteligência Artificial, soluções que se apresentem com características de disrupção verdadeiramente vanguardistas. No entanto, isto representa uma evolução ainda maior para os responsáveis máximos das organizações, pois ao reunir um conjunto de dados consolidados e transformados em informação acerca da organização, estamos a possibilitar aos administradores e diretores executivos processos de tomada de decisão mais assertivos e com maiores probabilidades de sucesso. Apenas assim as soluções disruptivas terão um real impacto nos desafios de negócio das organizações.

Artigo de opinião publicado na PME Magazine – 23 de agosto, 2019

 José Oliveira BI4ALL
  José Oliveira         
        CEO