1 Julho 2019

O poder dos dados ao serviço da inovação

Para qualquer organização, independentemente da sua dimensão, pode ser desafiante conseguir ter uma perspetiva completa sobre todas as informações relacionadas com o negócio, os seus recursos ou o desenvolvimento de produtos e serviços. Isto significa que qualquer investimento ou iniciativa de inovação estará sempre condicionada por alguma escassez de informação.

No entanto, há algo que todos temos à nossa disposição e que podemos utilizar para atingirmos um grau de compreensão completo sobre a organização: os dados resultantes da nossa própria atividade. E isto é determinante para quem quer estar à frente da concorrência e na liderança do mercado.

Não se pense que esta é uma ideia distante da realidade atual ou que é apenas fruto da imaginação de criadores de obras de ficção científica. O número de organizações que, em todo o mundo, já utilizam ferramentas deste tipo está em constante crescimento. De acordo com um estudo realizado pela IDC acerca do nível de investimento em Big Data e Analytics em termos globais, compilado no Worldwide Semiannual Big Data and Analytics Spending Guide, prevê-se que as receitas nesta área ascendam a perto de 190 mil milhões de dólares em 2019, num crescimento de 12% face a 2018.

Num cenário com cada vez mais empresas e organizações públicas a apostarem neste tipo de soluções, torna-se evidente que a sua utilização não se limita ao reforço da componente de negócio. Também a sua capacidade de inovação tem sido alvo de melhorias substanciais. Não é por acaso que os setores que mais têm investido em soluções de Big Data e Inteligência Artificial são dos que alcançam uma maior projeção do ponto de vista da implementação de projetos inovadores, como a Banca, o Retalho, a Indústria ou a própria Administração Pública.

Vale, por isso, a pena lembrar algo que estas organizações de sucesso já fazem: a importância de explorar o potencial da utilização dos seus próprios dados. Através do Big Data, o trabalho com enormes conjuntos de dados recolhidos a partir da normal atividade das organizações torna possível transformar estes dados em informações valiosas para uma melhor e mais ampla perceção da sua realidade, o que leva a decisões estratégicas mais informadas e enquadradas.

Em termos práticos, o trabalho com este tipo de soluções pode materializar-se de diversas formas no contexto da inovação: inovação tecnológica, inovação de produto, inovação na gestão de recursos humanos, inovação da própria organização, entre muitas outras possibilidades. A influência do Big Data do ponto de vista da inovação tecnológica, por exemplo, é notória, já que o grau de probabilidade de sucesso de novas soluções ou projetos aumenta se estes forem desenvolvidos com base em informações retiradas de contextos e situações reais. Além disso, o acesso a este tipo de informações permite estabelecer prioridades e definir quais as áreas que têm mais necessidades e que poderão ser alvo de melhorias através da inovação tecnológica – como novas soluções, novos métodos de trabalho, entre outras.

Por outro lado, o impacto decorrente da utilização do Big Data assume uma visibilidade particularmente relevante no contexto da gestão de negócio: não só passamos a ter uma riquíssima fonte de informação, capaz de sustentar as melhores decisões, como isso nos ajudará a dedicar uma atenção mais cuidada e orientada para o acompanhamento detalhado dos projetos e investimentos de inovação em curso. Além disso, influencia também a capacidade de inovação das organizações em áreas como o desenvolvimento de produtos e serviços ou o acompanhamento de clientes e utilizadores finais, permitindo trabalhar com informações mais precisas e estruturadas, que servirão de base à criação e desenvolvimento de melhores produtos, serviços e de melhores e mais personalizadas experiências para os clientes.

De uma forma muito clara e direta, o que está em causa é a ideia de que inovação traz inovação: se apostarmos em soluções inovadoras que nos oferecem uma compreensão abrangente e detalhada da nossa própria atividade, podemos ter uma presença no mercado verdadeiramente diferenciadora, única e tão disruptiva quanto inovadora na forma como gerimos a nossa própria organização, o negócio, o desenvolvimento dos produtos e serviços que disponibilizamos, e a presença no mercado.

Artigo de opinião publicado na PME Magazine – 27 de junho, 2019

 José Oliveira BI4ALL
  José Oliveira         
        CEO