30 Outubro 2019

Big Data, uma bola de cristal para prever o futuro

A cada segundo é gerado um enorme volume de dados ao longo de toda a cadeia de valor e produção de uma empresa, mas estaremos realmente conscientes da importância de os explorar?

Definir uma estratégia para a obtenção dos dados é vital, contudo de nada serve sem uma estratégia de análise e compreensão que nos permita apurar conclusões relevantes para a melhoria de processos da Organização e para o seu futuro.

Nos últimos anos os avanços tecnológicos relativos à informação forçaram as empresas a ir além do uso convencional de Big Data. Aceder a um grande volume de dados armazenados – estruturados ou não estruturados – já não é suficiente. As soluções Big Data impactam os negócios pois permitem a obtenção de insights capazes de sustentar decisões estratégicas, identificar problemas em tempo real e até aumentar a segurança da infraestrutura tecnológica, mas, atualmente, é já possível ir mais longe. As soluções Big Data permitem prever o futuro.

Ter a capacidade de antecipar cenários futuros é hoje determinante para a sobrevivência de uma empresa e, na verdade, não é necessário recorrer a uma bola de cristal! Através de soluções de Big Data é possível fazer análises prescritivas, descritivas, de diagnóstico, bem como análises preditivas, que nos permitem ir ao encontro das necessidades e expectativas dos nossos clientes, o que se reflete em vantagens competitivas em relação à concorrência.

Mas como é possível prever o futuro através de Big Data?

Antes de mais, há que ter em consideração que identificar padrões, descobrir tendências, problemas e oportunidades com mais precisão só é possível aliando tecnologia a algoritmia matemática, métodos estatísticos e técnicas avançadas de Machine Learning. Adicionalmente, é fundamental ter em consideração fatores como, a organização do mercado, a concorrência, o perfil dos consumidores, bem como as alterações a nível político e da sociedade.

No entanto, o ponto de partida é sempre a utilização de dados fidedignos, que permitam a aproximação à realidade e não a obtenção de meras projeções, com base em preconceitos ou sensações. Para tal, tudo começa na recolha de dados de diferentes fontes, desde os dados dos servidores, relatórios empresariais, passando por pesquisas de satisfação, feedback dos clientes, reviews de produtos e serviços, publicações nos media, comentários nas redes sociais, programas de fidelização, indicadores macroeconómicos, entre outros.

Interpretar mal os nossos dados tem, com toda a certeza, consequências graves para a nossa empresa. Para que consigamos fazer uma análise preditiva – assertiva e acertada – é necessário operacionalizar exercícios que nos permitam construir três cenários futuros distintos: o pessimista, o realista e o otimista.

Estes três cenários implicam ter em consideração o contexto social em que a empresa se insere, o contexto económico, tecnológico, ambiental e político. Adicionalmente, é vital envolver as administrações e quadros executivos, habilitados a manter o pensamento estratégicos devidamente afastado do pensamento operacional.

São inúmeras e óbvias as vantagens da análise preditiva através de Big Data. A título exemplificativo, uma delas é a de facultar à empresa a capacidade de reduzir o número de clientes prestes a deixarem de utilizar o nosso produto ou serviço. O Big Data atua identificando esses sinais e dando à empresa alertas, tempo e recursos para manter o cliente.

A análise preditiva procura auxiliar na gestão empresarial, na visão de futuras possibilidades, em diversas áreas de atuação da empresa. As decisões deixam de ser meramente intuitivas e tornam-se mais lógicas, fundamentando-se no exame de dados sólidos e verificáveis.

Hoje, o Big Data para além de oferecer uma compreensão abrangente e detalhada da nossa própria atividade, permite-nos antever e antecipar o futuro, permite-nos prever o comportamento do mercado e do consumidor. Agora, já não há desculpa – quer no momento atual, quer no futuro – para não mantermos os nossos clientes satisfeitos e fieis.

Artigo de opinião publicado no Jornal Económico – outubro, 2019

 José Oliveira BI4ALL
  José Oliveira         
        CEO