4 Agosto 2017

Soluções de Gestão de Dados na Nuvem

Desafios emergentes

Diariamente as empresas são confrontadas com novos e variados desafios que tendem a colocar em causa o status quo dos sistemas que lhes dão suporte. Um dos sistemas críticos das empresas são os sistemas de gestão de dados. É neles que se escreve a história do negócio e através do qual se tenta responder de forma célere e objetiva às necessidades dos clientes. Era prática comum (e ainda continua a ser) que a sua escolha seja um processo demorado e ponderado pois, regra geral, tende-se a optar por soluções bastante robustas e escaláveis que permitam ter algum desafogo no médio prazo. Contudo, estas soluções trazem custos bastante elevados, quer ao nível da aquisição, quer ao nível da manutenção, impactando diretamente o TCO (custo total de propriedade) dos sistemas que lhe estão inerentes. Por outro lado, apesar de escaláveis, estas soluções têm o seu limite físico derivado do hardware que foi adquirido, mesmo que comprado com uma larga margem de escalabilidade. Outro dos tópicos bastante relevantes sempre que falamos de hardware está relacionado com a sua disponibilidade, manutenção e agilidade de configuração. Em cada um destes temas está sempre associada uma grande complexidade operacional, uma boa fatia do orçamento e um intervalo de tempo que por vezes pode implicar um acréscimo relevante no time-to-market sempre que seja necessário reconfigurar os sistemas para dar resposta aos novos desafios. Paralelamente, é obrigatório ter em conta que as empresas deverão possuir planos de recuperação de desastre (disaster recovery) e de continuidade de negócio (business continuity), planos estes cuja sua implementação se pode tornar bastante onerosa, tanto quanto o valor que o negócio aporta e dos sistemas que lhe dão suporte.

Soluções

Os principais players do mercado de sistemas de gestão de dados perceberam a grande oportunidade que tinham à sua frente devido ao enorme potencial que os sistemas na nuvem possuem. Os primeiros passos foram dados há algum tempo atrás com a introdução do conceito de “Software Como Serviço” (SaaS) e expandido aos conceitos de “Plataforma Como Serviço” (PaaS) e “Infraestrutura Como Serviço” (IaaS). Pela primeira vez, têm a oportunidade de oferecer um conjunto de serviços onde a relação win-win entre cliente e fornecedor é um dado adquirido e bastante visível. O cliente de uma solução deste tipo passa a ter disponível um sem número de funcionalidades que proporcionarão uma gestão mais apurada e menos onerosa dos seus sistemas. Hoje em dia, qualquer um dos principais players de mercado (Amazon, Microsoft, Oracle, Google, IBM) oferece o seguinte conjunto de funcionalidades:

> Criação de bases de dados num curto intervalo de tempo (por vezes um intervalo de menos de 30 minutos é suficiente)

> Redimensionamento da capacidade de armazenamento das bases de dados e/ou sistemas alocados de forma simples e imediata

> Redimensionamento da capacidade de processamento das bases de dados e/ou sistemas alocados de forma imediata ou parametrizável por intervalos de tempo e/ou horário

> Acesso a uma consola gráfica onde é possível fazer toda a gestão dos diversos módulos contratados

> Diversos módulos de tratamento e gestão de dados out-of-the-box:

> Business Intelligence

> Data Warehousing

> Big Data and Analytics

> Internet das Coisas

> Marketing Digital

> Integração com Ambientes Móveis

> Comércio Eletrónico

> ERP

> Processamento de Alta Performance (HPC)

> Controlo de custos associado ao conceito de utilizador pagador; apenas se paga o que se consome (seja armazenamento, capacidade de processamento, disponibilidade da infraestrutura, etc.)

Se virmos cada um destes módulos como um fornecedor independente, claramente nos apercebemos que a sua integração será um problema de elevada complexidade e que a sua gestão aportará custos elevados. É, pois, evidente o conjunto de vantagens que estes sistemas integrados trazem para as empresas, quer ao nível da agilidade e celeridade em entregar os módulos necessários, quer na sua gestão, quer no seu custo que é sempre contabilizado em virtude dos módulos contratados e da capacidade de processamento disponibilizada.

Desta forma torna-se bastante simples apostar em módulos/tecnologias novas sem o ónus do investimento inicial de aquisição. Simplesmente utilizamos o módulo necessário e apenas é cobrada a sua utilização. Prototipar nunca foi tão fácil!

Nestes sistemas, todas as situações que ocorram ao nível do hardware são da inteira responsabilidade dos fornecedores e completamente invisíveis para os clientes. São eles os responsáveis por garantir a disponibilidade contratada e a sua robustez.

Segurança: o elefante na sala

Um dos grandes temas que está sempre presente quando falamos de sistemas na nuvem é a segurança. Por vezes, o facto de não conseguirmos ver e ter acesso aos data centers onde os nossos serviços estão alojados faz com que se gere um sentimento de insegurança relativamente aos sistemas na nuvem. Há sempre um conjunto de questões pertinentes que são colocadas:

> Quem gere o acesso às diversas aplicações e módulos?

> Como é gerido o acesso?

> De que forma os meus dados estão protegidos?

> Estando os sistemas na nuvem, como estão protegidas as comunicações entre os sistemas/clientes que comunicam com o meu sistema?

> O que acontece em caso de ataque? De que forma posso inibir o acesso e invalidar o acesso?

Sendo questões pertinentes, não deixam de poder também ser aplicadas a sistemas on premises, o que torna a questão da segurança nos sistemas na nuvem uma falsa questão. Os controlos de acesso e de gestão, o mascaramento de dados, tudo é baseado nos mesmos algoritmos e protocolos existentes nos sistemas on premises. É necessário desmistificar este tema pois ainda continua a ser um dos entraves à mudança para sistemas na nuvem. De forma alguma um sistema na nuvem bem configurado não é menos seguro nem está mais exposto que um sistema on premises.

Transição

Podemos pensar de uma forma muito ingénua que a migração total para este tipo de sistemas é pacífica e consensual, mas na realidade o sentimento existente em quem gere as plataformas atuais das empresas não é bem este. Se é relativamente simples a perceção das vantagens inerentes a este tipo de sistemas para uma empresa que esteja a começar e que parta de uma solução green field, já se torna mais complicado quando estamos a analisar empresas que estão em velocidade de cruzeiro e onde os seus sistemas são uma peça vital para o funcionamento das mesmas. Para lidar com esta situação, a generalidade das situações existentes permite a criação de ambientes híbridos onde são mantidos diversos sistemas existentes on premises em conjunto com novos sistemas na nuvem. Já existem diversos mecanismos que permitem a sua gestão integrada e sincronização. Esta gestão em ambiente híbrido é um grande catalisador para a migração total dos sistemas para a nuvem e uma garantia de que esta migração não será feita de uma forma abrupta e disruptiva que possa causar danos às organizações.

Conclusão

A aposta forte que os principais players do mercado estão a fazer nesta tecnologia aponta claramente que este será o caminho do futuro.

Podemos claramente afirmar que o investimento em Sistemas de Gestão de Dados na Nuvem é uma escolha acertada, quer pela diminuição e controlo de custos que operam, quer pela flexibilidade e robustez que disponibilizam através de uma forma simples.

 

 

 

Miguel Semedo

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