O Business Intelligence ao serviço da retenção de talento

À medida que a sociedade evolui e nos movimentamos na direcção de uma nova economia mais digital e inovadora, a atenção dirigida às pessoas e aos conhecimentos tem gradualmente aumentado. Nos dias de hoje, as organizações enfrentam novos desafios ao terem de lidar com o surgimento constante de novas tecnologias, com a velocidade alucinante da própria inovação e com as alterações demográficas na força do trabalho.

O aparecimento de novas tecnologias tem influenciado e modificado substancialmente as estratégias de gestão de talentos, assim como toda a concepção de estrutura organizacional nas empresas, ao fazerem evoluir os seus modelos de liderança e ao promoverem uma cultura totalmente centrada nos seus profissionais.

Actualmente, as organizações, para além de terem de lidar com a habitual escassez de profissionais de Tecnologias de Informação (TI) qualificados, têm também de desenvolver estratégias focadas na retenção de talentos, criando mecanismo de incentivo, de envolvimento e de partilha de conhecimento, entre a organização e os seus profissionais. Uma organização necessita assim de manter o seu ritmo e, ao mesmo tempo, encontrar a agilidade necessária para envolver o seu ecossistema, satisfazendo as suas necessidades. É essencial que incorporem ferramentas tecnológicas que possibilitem maximizar a utilização da informação de forma a criar benefícios para o seu ambiente interno, bem como garantir vantagens competitivas no seu meio externo.

Mas… Como é que uma organização retém, de forma eficaz, o seu talento?

A aposta na implementação de ferramentas de Business Intelligence (BI), uma vez que potenciam uma análise em tempo real, diminuindo o tempo despendido entre a análise e a tomada de decisão, é sem dúvida uma estratégia com resultados claros.

A gestão baseada em “percepções” não possui mais espaço no cenário contemporâneo e novas técnicas e ferramentas vêm surgindo com o objectivo de tornar a gestão mais objectiva e efectiva, baseando-se em factos concretos e resultados reais.

Para o departamento de Recursos Humanos esta ferramenta proporciona-lhe inumeradas vantagens, quer para o departamento em si, quer para a organização, uma vez que possuem grandes volumes de dados brutos e, com o recurso a ferramentas de BI, podem detectar padrões, agilizar processos e dar apoio às tomadas de decisão, economizando bastante tempo em análises que anteriormente eram extraídas de múltiplas fontes. E tem sobretudo um papel crucial na retenção de talentos, pois possibilita aos recursos humanos perceber, de forma mais detalhada e menos intrusiva, o perfil dos seus actuais e futuros colaboradores, para que possam interagir com um maior nível de proximidade com estes.

Como se pode então utilizar o BI como uma ferramenta para conseguir reter o talento, quando estes são constantemente assediados por grandes empresas?

Diversas vezes, percebemos que uma empresa tem dificuldades para reter talentos mas, mesmo com diversas tentativas, não se consegue descobrir qual o motivo. O primeiro passo para evitar que os talentos saiam da sua empresa, incide na compreensão sobre quais os motivos que levam os colaboradores a procurar trabalho noutras organizações, para depois implementar uma estratégia para mudar esse cenário. É aí que entra o Business Intelligence.

As ferramentas de BI geram relatórios sobre os colaboradores e, a partir desses relatórios, o gestor pode realizar análises e iniciar pesquisas para compreender a razão da dificuldade em reter talentos.

Em primeiro lugar, estas necessitam de especificar e abordar segmentos de mercado específicos e oferecer um serviço diferenciado – a oferta de trabalho. Já não é suficiente oferecer apenas um pacote salarial competitivo, pois este, só por si, perdeu a sua importância como forma exclusiva de atrair e reter talentos, uma vez que muitos dos candidatos talentosos vêem isso como um dado adquirido. Em vez disso, procuram agora uma imagem corporativa atraente, estando disponíveis para partilhar valores e estimular a cultura corporativa. Para reter esses talentos obtidos a um preço tão elevado, é necessário oferecer oportunidades que permitam realçar a competência.

Assim, é urgente implementar:

– Promover a flexibilidade organizacional;

– Mobilizar os conhecimentos da organização;

– Facilitar o desenvolvimento profissional e pessoal;

– Possibilitar a gestão de novas funções.

Importa, então, colocar os seus profissionais no centro da sua estratégia e adoptar ferramentas de BI, que lhes permita contactar de forma mais próxima com estes profissionais e, ao mesmo tempo, demonstrar que detêm conhecimentos suficientes, para afirmarem que os conhecem e que fazem parte da sua cultura organizacional, partilhando os seus valores.

As ferramentas de BI abrem novos caminhos, não apenas para perceber os rácios de assiduidade, de produtividade e de motivação dos colaboradores, como também representam um valor acrescentado significativo para a empresa. Por outro lado, proporcionam diversas melhorias aos departamentos de Recursos Humanos dentro de uma organização, quer seja na selecção de candidatos, no fornecimento de informações sobre perfil de cada um, nas avaliações de desempenho, na contenção de custos, na produtividade e na análise de absentismo, etc.

Desta forma, face à urgência com que as organizações constantemente se debatem perante estas questões, as equipas de Recursos Humanos estão a mudar a forma como trabalhavam no passado para garantir um futuro melhor para a área e também para toda a empresa.

Ao mesmo tempo, as empresas estão a começar a usar o BI nos departamentos RH como solução no processo de tomada de decisões. Todos estes esforços irão tornar as organizações mais fortes e competitivas a nível global.

Assim, compreender as características de processos de recursos humanos como: recrutamento, envolvimento e identificação de desafios que impulsionam o avanço do negócio, pode posicionar a empresa acima de seus concorrentes directos.

E a sua organização, está preparada para receber esta nova geração de profissionais e ir ao encontro das suas expectativas?

  • Artigo de opinião publicado no meio Human Resources Portugal - 12 Junho, 2017