24 Maio 2017

Boas Práticas no Desenho de Dashboards

“Numbers have an important story to tell. They rely on you to give them a clear and convincing voice.” ― Stephen Few

O desenho do Dashboard é por vezes considerado como a cereja no topo do bolo de um projeto de BI e, de facto, é um dos fatores principais que define o sucesso do projeto, uma vez que é o fator que tem maior impacto na experiência do utilizador final.

 

 

A equipa completou a maior parte do trabalho, os dados foram obtidos de várias fontes, passaram por diversas fases de transformação, foram aplicadas as regras de negócio e, por fim, armazenados num Data Warehouse desenhado de acordo com as melhores práticas da indústria. Agora está na altura de transformar estes dados em informação, essa informação em conhecimento e, por sua vez, à tomada de decisões de negócio. Mas, como é que definimos um Dashboard eficaz, útil e intuitivo? Abaixo partilho algumas das regras que aprendi na minha experiência em implementação de soluções de BI para empresas de larga escala:

1. Conhecer o público-alvo

A definição do público-alvo é o primeiro e mais importante passo no desenho de um Dashboard eficaz. É muito importante garantir que o mesmo se vai identificar com o dashboard e, para isso, é necessário que se defina claramente quem vai olhar para o dashboard, o que vão estar à procura e em que contexto o vai fazer. Sem esta perceção é muito difícil a entrega de um dashboard eficaz.

O dashboard vai ser utilizado pela liderança de topo para consultar os valores globais, ou vai ser usado por um representante de vendas para monitorizar as suas atividades diárias? É importante assegurar que o dashboard está focado nas necessidades do seu público-alvo em especial.

2. Classificar o dashboard

Entender o tipo de dashboard que se está a desenhar vai ajudar a orientar as decisões de desenho. Há três tipos comuns de dashboards, cada um com o seu propósito:

> Operacional: Apresentação de dados que ajudam à operação diária do negócio, através da gestão de KPI’s (indicadores chave de desempenho) do processo de negócio. O objetivo é ajudar o departamento a entender se a sua performance está dentro ou fora do objetivo e por quanto. Muitas das vezes os dashboards operacionais usam dados em real ou near real time.

> Estratégico ou Executivo: Representação dos KPI’s necessários para ajudar a liderança das empresas a monitorizar a performance numa base periódica. Normalmente providencia uma visão de alto nível do estado atual do negócio juntamente com os seus objetivos.

> Analítico: Apesar de poder apresentar dados estratégicos ou operacionais, este tipo de dashboards fornece ao utilizador a capacidade de explorar os dados e obter perspetivas distintas. Um exemplo pode ser a análise de tendências ao longo do tempo ou combinar dados de marketing e vendas para determinar o sucesso de campanhas de marketing.

3. Escolher o visual correto

As visualizações de dados são essenciais para um dashboard eficaz, uma vez que as pessoas processam informação mais facilmente num formato visual. No entanto, fazer a escolha errada no formato da visualização dos dados pode levar a más interpretações e, por conseguinte, más decisões de negócio. A lista abaixo não é exaustiva, mas pretende sumarizar os tipos de visualizações mais importantes e o seu propósito:

> Indicador: Para apresentar um valor único. É importante rotular o período corretamente e dar um valor de referência;

> Gráficos de linha: Ideal na consulta de métricas sobre um período de tempo. Ao entender a mudança de valores ao longo do tempo, conseguimos identificar tendências e padrões que poderão ser interessantes;

> Gráficos de barras: Bom quando o objetivo é comparar valores sobre a mesma categoria (país, produto, cliente);

> Gráficos Combinados: Combinam as funcionalidades dos gráficos de barra e linhas, ao permitir representar várias métricas na mesma visualização;

> Gráficos Circular/Pie: Úteis quando queremos ver a contribuição das partes no todo. Apesar de ser um dos mais populares, pela facilidade de entendimento, não é muito consensual no mundo do BI, devido à falta de precisão, especialmente nos valores mais pequenos do gráfico circular. A recomendação é usar este tipo de gráficos com três ou menos segmentos;

> Gráficos de Barras Empilhadas: Representação múltipla do conceito do pie chart (partes num todo), interessante para comparar vários itens e apresentar a composição de cada um deles;

> Gráficos de Distribuição: Apresentam a distribuição e a relação de dois itens/métricas;

> Gráficos de Bolhas: Representam a distribuição e a relação de três itens/métricas;

> Tabelas: Ideais para análises mais profundas dos dados.

4. Providenciar contexto

Todos os elementos de um dashboard devem ter um contexto para os números a serem apresentados. Sem valores de referência, os números são mais difíceis de interpretar. De outra maneira, como irá o utilizador entender se um valor é normal ou não? Deve-se tentar utilizar as comparações mais comuns, por exemplo período atual com ano passado, ou um objetivo, ou mesmo um valor esperado.

5. Tomar atenção aos detalhes

Uma das melhores práticas mais frequentemente mencionadas é tentar combinar a informação num só ecrã, no entanto, deve-se evitar inundar o utilizador final com informação. Se esse é o caso, pode-se tentar criar páginas/tabs para temas distintos. Por exemplo, um dashboard de Marketing em secções distintas, como se faria num site.

Outras recomendações:

> Nunca nos devemos esquecer porque estamos a fazer o dashboard numa primeira instância, e tentar fazê-lo o mais simples possível;

> Devemos tentar-nos colocar no papel do utilizador, para entender as suas necessidades e se as mesmas são endereçadas;

> Deve-se considerar em que forma o dashboard vai ser consultado (contexto e dispositivo). Deve ser o mais responsive possível;

> É sempre uma boa ideia iniciar com uma visão de alto nível, contudo, a informação chave deve estar no canto superior esquerdo.

6. Utilizar funcionalidades visuais adequadamente

> O tempo deve estar sempre no eixo horizontal;

> Para gráficos de barra numéricos, o eixo numérico deve sempre começar do zero;

> Rotular itens necessários (títulos, eixos, unidades, séries). Deve ser feito de forma inteligente, tendo em consideração limitações espaciais (ex: dispositivos móveis);

> Evitar gráficos 3D e padrões desnecessários (ex: imagens de fundo, bordas) que podem obscurecer o mais importante: os números;

> Utilizar espaço branco/vazio entre os elementos, para torna-los legíveis

> Escolher algumas cores e mantê-las, se necessário, utilizar tons da mesma cor;

> Utilizar tipos de letra simples (Arial, Tahoma, etc.).

        
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        João Vieira
         Consultant