31 Janeiro 2017

BI na Tomada de Decisão do Dia-A-Dia – Os Cenários Esquecidos

Business Intelligence é uma expressão que foi cunhada há anos atrás para distinguir um grupo de conceitos, metodologias e tecnologias de outros Sistemas de Apoio à Decisão. Mas, por agora, vamos tentar esquecer todos estes termos complicados. Todos eles são usados na sua maioria com o mesmo objetivo:

> Tomada de Decisão apoiada por tecnologia.

A ideia é simples: muitos dados para o humano “comum” compreender e retirar conhecimento deles, sem a ajuda de computadores. Portanto devem estar a pensar numa empresa grande com milhares de trabalhadores registando todas as suas transações financeiras, recursos humanos, logística, relação com o cliente (etc.). É aqui que as tecnologias de Business Intelligence entram em ação, para tirar conclusões de todos esses dados.

Contudo, não vamos falar destes casos hoje. A tomada de decisão que afeta a empresa para a qual trabalhamos acontece todos os dias na vida profissional de cada um de nós, mesmo que por vezes pareçam menos importantes.

Pausa para café agora ou mais tarde?

Eu sei, devem estar a pensar porque é que estou a falar disto, mas é só um exemplo, tão válido como outro, para vos explicar o mais simples e seguir para cenários superiores.

Imaginem que decidem registar manualmente todos os dias a que horas fazem esta pausa e no final do dia classificam manualmente a vossa produtividade diária numa categoria [má | assim-assim | boa]. Ao fim do ano vão ter umas centenas de registos e com alguma sorte vão encontrar uma correlação entre fazer uma pausa por volta das 14h-15h e uma boa produtividade diária. No próximo ano vou começar a fazer esta pausa por volta das 14h...

Estão a ver aquele cérebro [Conhecimento] no diagrama acima? É o computador a trabalhar por vocês, mesmo que fosse rápido para pessoas com alguns conhecimentos estatísticos fazerem esse cálculo, estes poderiam usar ferramentas fáceis de compreender que estão atualmente disponíveis online, como é o caso do MS Azure Machine Learning. Em alguns minutos poderiam carregar o vosso ficheiro Excel e obter o resultado de um método de análise escolhida, sem terem que fazer qualquer cálculo.

Caça ao Troféu

Provavelmente concordam comigo quando digo que o sucesso de muitas empresas é dependente dos recursos humanos que trabalham para a mesma. Partindo deste princípio faz sentido que estas empresas contratem os melhores recursos possíveis. Vamos analisar este contexto como exemplo.

[Devo contratar este candidato ou não?] O recrutador aquando da tomada desta decisão vai ter anos de experiência/conhecimento que o ajudarão, mas poderia ter mais algum apoio? Coloquem-se na sua posição, e já agora, não têm à vossa disposição mais que o vosso velho amigo Excel. Poderiam traduzir todos esses anos de experiência/conhecimento e construir a vossa framework com base no que faz sentido avaliar e categorizar num candidato. Registariam manualmente esse input para todos os candidatos, mas até saberem se estes, agora empregados, são realmente bons ativos para a empresa, não há grandes conclusões a tirar. Todas as empresas deveriam ter pelo menos uma Avaliação de Performance anual, e caso esse não seja o caso, provavelmente significa que para além do recrutamento, o vosso trabalho deveria ser também continuamente avaliar a performance destes candidatos/empregados.

Lembrem-se, ainda têm convosco o vosso velho amigo Excel o que significa que nem tudo está perdido. Depois de alguns anos, vão ter finalmente sumo (dados) suficiente de ambas as partes [candidato | empregado] para iniciar uma análise e tentar encontrar correlações entre o perfil do candidato e o perfil do respetivo empregado. Ligando ambas as partes ( através de um número de identidade único da pessoa ) vão ter um conjunto de dados para usar como input numa das ferramentas disponíveis como referi anteriormente, por exemplo MS Azure Machine Learning. Quando vos falei em construir a vossa própria framework referia-me a uma customização ao ponto de até poderem classificar uma entrevista de um candidato com base numa categoria [Intuição], mas isto sou só eu a falar e a minha falta de experiência nesta área. Contudo, no fim eu gostava de saber se a minha intuição sobre o candidato estava correta ou não verificando se existe uma correlação entre esta e a performance daquele agora trabalhador da empresa. Se não existir uma correlação ( e assumo que não existirá visto que não sou um recrutador experiente ), deveria procurar noutras categorias que registei no perfil do candidato.

O processo é o mesmo para todos os cenários de tomada de decisão que vão encontrar no vosso dia-a-dia, deixando que o computador faça o trabalho do pequeno cérebro [Conhecimento] e o use nas próximas vezes que tiver de tomar essa decisão novamente.

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      André Correia
         Consultant